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05/07/2017

9. Origens

COMO O FUTEBOL CHEGOU AO BRASIL? TRAZIDO DA INGLATERRA NO FINAL DO SÉCULO XIX, ELE SE DIFUNDIU ENTRE NÓS COMO UM ESPORTE DE ELITE E, DEPOIS, GANHOU O CORAÇÃO  DE TODOS OS BRASILEIROS.

VEJA E MANUSEIE 410 IMAGENS QUE RETRATAM A SOCIEDADE BRASILEIRA DESDE A LIBERTAÇÂO DOS ESCRAVOS, EM 1888, ATÉ O ANO DE 1927, QUANDO OS CLUBES DE FUTEBOL PASSARAM A ACEITAR ATLETAS NEGROS E O FUTEBOL SE PROFISSIONALIZOU.  

CELEBRAMOS AQUI CRAQUES DO FUTEBOL, EM MEIO A ARTISTAS E INVENTORES (COMO SANTOS DUMONT, O PAI DA AVIAÇÃO). CELEBRAMOS TAMBÉM A GENTE HUMILDE DO POVO. E, PRINCIPALMENTE, CHARLES MILLER, QUE INTRODUZIU O FUTEBOL NO BRASIL;  MARCOS CARNEIRO DE MENDONÇA, O GOLEIRO DA PRIMEIRA SELEÇÃO BRASILEIRA E, FRIEDENREICH, O ATLETA MAIS POPULAR DESSE PERÍODO – FILHO DE MÃE NEGRA LAVADEIRA E PAI ALEMÃO: FRUTO PERFEITO DO AUTÊNTICO BRASIL MESTIÇO. 

 

Parece que todo brasileiro nasceu com a bola no pé!

 

Mas não foi sempre assim não.

O Futebol foi trazido pro Brasil por

Charles Miller,/

Filho de ingleses,/ Ele foi estudar na Inglaterra,/

e voltou de lá/ com uma bola e um manual de regras

 

1896

 

Você imagine que, sete anos antes /

 

1888

 

O Brasil foi o último país do mundo a libertar os escravos./

Os negros,/ mulatos,/ mestiços/ foram jogados na rua.

E a elite queria provar que era a tal./

E provar àquele povo mestiço quem é que mandava,/

Quem é que era mais atleta.

 

Os bem-nascidos trouxeram o futebol para uso exclusivo deles. /

 Jogavam com roupas de seda./

Os que assistiam vinham todos elegantes, de cartola e chapéus.

 

O Brasil era um país dividido:

de um lado, aqueles que tudo tinham.

De outro,/ os descalços/que só podiam assistir do alto dos morros

o que se passava nos estádios.

 

1902

 

O primeiro estádio foi o do Fluminense, construído no Rio.

Um jornal de época dizia assim de um jogo:
“Ocorreu esta semana um match entre Fluminense

e o América Football Club.

De camisas elegantes, com os bigodes bem aparados,

os footbalers apresentaram-se como verdadeiros sportsmen.

O bem vestido público,

composto de famílias e cavalheiros aplaudiu efusivamente”.

 

Ora, vejam só: até os nomes eram falados em inglês.

Match era jogo. Footbaler era jogador.

 Muito chique, não é? /

Tudo para deixar do lado de fora o povão.

 

Até o goleiro do Fluminense, um ídolo!, Marcos Carneiro de Mendonça, jogava com uma fitinha-roxa de seda. Elegante!

 

Mas a verdade é que o futebol precisava ser reinventado./

Foi o que aconteceu./As cidades começaram a crescer, /

o país a se industrializar. /

Os mestiços, os imigrantes mais humildes e os negros/ passaram a trabalhar nas fábricas, /

nas lojas das cidades./  E aí?

Bom, aí, eles saíam das ruas para as várzeas,

das fábricas para os campinhos,

pegavam a bola no pé com uma maestria sem igual

e passavam a driblar,/ a inventar...  a dar baile./

Eles não podiam mais ficar de fora dessa jogada.

 

 

1910

 

Os clubes ainda teimavam em impedir a entrada da gente do povo. /

Sabe como? / O estatuto dizia assim:

“É proibido a presença de trabalhadores braçais”.

Ora,/ futebol só podia ser jogado por quem tivesse anel de doutor?/

 Não ia dar certo.

 

1927

 

Em 1927 todas as proibições caíram por terra /

e entraram em cena os melhores,/

não importando a origem nem o berço./

O futebol tornou-se a primeira batalha

em que o povo brasileiro entrou e ganhou.

Tomou para si o futebol e deu asas à ele.

 

Nessa época surge nosso primeiro craque mestiço,

com um nome pra lá de complicado: Friedenreich.

Também com esse nome só poderia ser filho/ de pai alemão

de olhos verdes/ e mãe negra, lavadeira...

 

O CRAQUE

 

Friedenreich deu um banho de competência.

E o Brasil passou a mostrar com orgulho,/ aos olhos do mundo,

que éramos  um país capaz de aceitar todas as diferenças.

E fazer disto um gostoso fruto mestiço.

 

Agora você sabe porquê há uma bola na bandeira do Brasil.

E outra imensa, que pulsa e vibra, no seu coração de torcedor!